carminha nieves

TRISTEZA DE MÃE

                            

 

 

Muitas coisas da vida, passam sem darmos conta. Será por termos pouco tempo para pensar, ou não tivemos acontecimentos para meditar. Um filho cresce e não nota as mudanças que o tempo faz nos Pais. Para eles é normal a mudança na figura, nos cabelos brancos, nas dificuldades por mínimas que sejam nos movimentos.

Modificações na face, pele e no brilho do olhar.

Uma Mãe nota tudo nos filhos. Na postura, na beleza da juventude num corpo perfeito. Mesmo com defeitos são insignificantes, pois o orgulho que sentem neles,  é maior.

Mas um dia, ou por doença ou idade, rasam-se os olhos de lágrimas, ao notar que a idade pesa e que estão diferentes.  Se doentes, então o choque é imenso, uma angustia sem limites coração sem descanso bate tristemente, por não podermos dar saúde.

Vi o teu cabelo, a ser cortado, caindo no chão, as lagrimas inundando-te a cara, vi-te desprotegida por não poder ajudar-te. Nunca pensei que teria que passar por tanta angustia. Não é a 1ª vez que luto com doenças em seres queridos, mas desta vez, é a angustia de não ter poder nas minhas mãos para ter de novo a filha que tanto cuidei, alegre, feliz e abraçada ao meu colo.

Que fim de ano e Natal! Que triste lembrança para o resto da minha vida, meu Deus, se quisesses podias ajudá-la, dar-lhe a saúde e cura que tanto precisa. Deixa-me viver o pouco que me resta sem este sobressalto constante, de me sentir inútil.

Procuro forças, nem sei onde, faço-te rir a chorar por dentro, brinco com o punhal da angustia cravado no peito.  Sei e tenho esperança que tudo passe e voltes a ser novamente o que eras.

Triste vida esta em que por uma gargalhada que dê, pague em desgostos.

Mas assim está escrito no livro que trouxe quando nasci. Podia ser melhor, mas também sei que podia ser pior.

Por ti, filha e por quem já me deixou, tenho obrigação de ser forte e continuar a ser alguém bem-disposta e que muitas jovens querem ser como eu, que nem conheço, mas que as Mães comentam. Como árvore verde e frondosa, com a raiz já cansada, vou tentar dar a sombra da esperança a quem precisar. A mina dor será o conforto para quem sofre, eu vou aguentar, assim Deus queira.

Com toda a força vou andar em frente, por ti e por quem me necessitar.

Um desabafo, um grito de revolta, aceitem se por acaso leem, esta minha confissão. Sou humana e sou Mãe.

Porto, 14 de Janeiro de 2817

Carminha Nieves

 



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